O que é dente anquilosado e como ele pode comprometer a troca natural dos dentes

dente anquilosado

29/03/2021 | Por: Odonto Busca Conteúdo

A odontologia é cheia de termos técnicos e muitos deles, por mais difíceis que sejam, são usados para designar situações comuns ou preocupações constantes no que se refere à saúde bucal. E “dente anquilosado” é um deles.

Apesar deste nome não ser muito conhecido, representa um problema bastante recorrente entre os pequenos. E uma das principais dúvidas dos pais de crianças que se encontram na fase de troca de dentes.

Neste artigo, você vai entender o que significa dente anquilosado, as principais causas, consequências e tratamentos.

E, ainda, se é possível ou não prevenir esta condição que, se não for identificada e tratada a tempo, pode impedir a troca natural dos dentes. Além de acarretar outros problemas ainda mais sérios na mastigação, posicionamento dentário e até estrutura facial.

Veja todos os pontos que serão abordados sobre o assunto:

Dente anquilosado: uma condição que merece atenção

Como o dente normalmente se apresenta

O que é o dente anquilosado

Os dentes anquilosados mais comuns

O que causa a ausência do ligamento periodontal

A importância da consulta de rotina para o diagnóstico

Os sinais do dente anquilosado

Comprometimento na troca natural dos dentes

Mas as consequências do dente anquilosado não param por aí

Questões para se observar pós-diagnóstico

As principais formas de tratamento

Atuação de outros especialistas pode ser necessária

É possível prevenir a anquilose dentária?

Dente anquilosado: uma condição que merece atenção

dente anquilosado

Dente anquilosado é uma condição relativamente comum e simples, sobretudo entre os pequenos, mas que pode gerar complicações

A infância é um período que requer muito cuidado e atenção. Muitos dos hábitos adquiridos nesta etapa podem acabar tendo influência por toda a vida.

E o mesmo vale para os problemas bucais e de saúde que não recebem o devido tratamento, ainda em seu estágio inicial.

É o caso do dente anquilosado. Apesar de ser uma condição relativamente comum e simples, pode ocasionar as mais diferentes complicações.

Sobretudo, se não for diagnosticado e tratado a tempo, conforme veremos adiante.

Como o dente normalmente se apresenta

Antes de explicarmos no que consiste o dente anquilosado, é importante entender como é a estrutura normal do elemento dentário.

Apesar de muitos de nós pensarmos que o dente está fixado diretamente no osso, não é bem assim que funciona.

Na verdade, existe uma espécie de linha preta ao redor da raiz do dente. São pequenas fibras localizadas entre o dente e o osso alveolar, com o objetivo de mantê-los unidos.

Essa “linha” é o ligamento periodontal e atua como um sistema de amortecimento.

O que é o dente anquilosado

E é justamente quando esse ligamento periodontal que une os dois tecidos não existe é que nos deparamos com um dente anquilosado.

Nesses casos, ocorre uma fusão anatômica entre a raiz do dente e o osso.

E, com isso, o dente passa a ficar ligado diretamente ao alvéolo e, aos poucos, a se afundar no tecido gengival que está em volta.

Geralmente a suspeita de anquilose dentária é levantada pelo fato do dente de leite não amolecer e cair, no intervalo esperado.

Veja também: Dente de leite: Do nascimento até a troca pelos permanentes

Os dentes anquilosados mais comuns

A anquilose dentária é uma condição mais frequente nos dentes de leite. Contudo, isso não significa que os dentes permanentes estão livres dessa situação.

De forma geral, a ausência do ligamento periodontal é mais comum nos dentes molares da arcada dentária inferior.

Sobretudo os decíduos, mas também pode acontecer com os permanentes, conforme mencionado anteriormente.

Além disso, essa alteração pode se dar de diferentes formas: em um único dente ou em vários, em toda a extensão da raiz ou apenas em determinados pontos.

Estima-se que as meninas são as mais afetadas por esse problema. E caso um irmão receba esse diagnóstico, existe uma chance maior do outro também receber.

O que causa a ausência do ligamento periodontal

Não há um consenso sobre os fatores que causam o dente anquilosado.

Mas geralmente esse problema costuma ser resultado de algum trauma ou até mesmo de predisposição genética.

Além disso, acredita-se que displasias, como a disostose cleidocraniana, podem favorecer seu surgimento.

A importância da consulta de rotina para o diagnóstico

Dente anquilosado

Consultas regulares com odontopediatra são importantes para detectar o problema no estágio inicial

A grande questão do dente anquilosado é que, na maior parte das vezes, ele pode passar despercebido pelos pais.

Por isso a importância de manter as consultas regulares com o profissional dentista, sobretudo com um especialista.

No caso de bebês e crianças, o odontopediatra é o profissional mais adequado para realizar o atendimento e acompanhamento odontológico.

Quando os pais mantêm a consulta de rotina de seis em seis meses ou até mesmo de ano em ano, contribui diretamente para um diagnóstico precoce.

Assim como para um tratamento muito mais simples e na redução do risco de complicações futuras.

Os sinais do dente anquilosado

Um dos principais sinais do dente de leite anquilosado é o fato de ele não amolecer e cair no tempo previsto pela cronologia da dentição.

Geralmente, os pais já chegam na avaliação odontológica ou na consulta de rotina relatando esta alteração, por mais que não tenham percebido nada visualmente.

Em muitos casos, o exame visual já é suficiente para que o odontopediatra consiga identificar a anquilose dentária.

Isso porque o dente anquilosado se apresenta em infra-oclusão, ou seja, em um nível de oclusão abaixo dos demais dentes.

Mas em alguns casos, o profissional dentista também pode solicitar exames complementares para um diagnóstico mais específico.

Como é o caso da radiografia, que possibilita visualizar a ausência da linha preta ao redor da raiz do dente, que caracteriza a fusão anatômica entre a raiz do dente e o osso.

Comprometimento na troca natural dos dentes

Além do atraso na queda do dente de leite anquilosado, a anquilose dentária pode acarretar outros problemas.

A começar pelo atraso na erupção do dente permanente. Como o dente anquilosado continua fixado no osso alveolar, a troca natural do dente fica comprometida.

Isso porque ele não amolece e nem cai e, com isso, não abre espaço para a erupção do nascimento do elemento dentário sucessor.

Outra alteração que pode acontecer é a erupção ectópica, ou seja, quando o dente permanente nasce fora do lugar previsto.

Veja ainda: Erupção dentária: entenda quando e de que forma acontece

Mas as consequências do dente anquilosado não param por aí

Nos casos em que o dente anquilosado não é diagnosticado e tratado a tempo, as consequências podem ser ainda maiores.

Com o tempo, essa disfunção pode acarretar, por exemplo, problemas de posicionamento dentário e de má oclusão.

Enquanto o dente anquilosado afunda, pode acontecer de os dentes vizinhos se inclinarem. E, em casos mais sérios, ocorrer a perda dos dentes vizinhos por cárie ou doença periodontal.

Além disso, os dentes da arcada dentária oposta podem crescer além do esperado e se sobressaírem.

Quando acontece dos dentes posteriores não se encostarem, por exemplo, o paciente pode ter mais dificuldade para mastigar.

A impossibilidade de movimentação ortodôntica e de tracionamento do dente incluso também aparecem entre as alterações previstas.

Pode acontecer, ainda, alterações permanentes na estrutura facial, como protrusão de mandíbula e redução na altura da parte inferior da face.

Questões para se observar pós-diagnóstico

A verdade é que existem várias formas de tratar o dente anquilosado. Mas tudo vai depender do grau da anquilose dentária.

Para definir o melhor tratamento, o profissional dentista precisa, antes, analisar algumas questões.

Como, por exemplo, se existe ou não o dente permanente sucessor e o estágio da irrupção do permanente correspondente.

E, ainda, como o dente anquilosado está posicionado e o nível de formação da raiz.

As principais formas de tratamento

Em alguns casos, extração dentária pode ser necessária, inclusive para permitir o nascimento do dente sucessor

Quando o diagnóstico é feito precocemente, em muitos casos o acompanhamento clínico e radiográfico pode ser suficiente, em um primeiro momento.

Já em outros podem ser necessários procedimentos como a luxação cirúrgica para possibilitar que o dente anquilosado se solte sozinho do osso.

Contudo, é importante ressaltar que este processo pode demorar até seis meses para acontecer.

A extração do dente também pode ser indicada, assim como a instalação de um mantenedor de espaço.

Mais do que preservar o espaço do sucessor, o objetivo desta medida é possibilitar a erupção adequada do dente permanente correspondente.

Há casos, ainda, em que é recomendável a utilização de resina composta para aumentar o nível do dente, devolver sua função e garantir uma estética mais harmoniosa.

Atuação de outros especialistas pode ser necessária

Isso tudo significa que, em muitos casos, a atuação de outros especialistas pode ser necessária.

Como, por exemplo, a de um ortodontista para corrigir os problemas ósseos e de mordida.

Ou a de um cirurgião para expor e reposicionar o dente permanente sucessor.

E, ainda, a de um implantodontista, em pacientes que não têm o dente permanente sucessor. Ou até mesmo que apresentam o dente permanente anquilosado.

É possível prevenir a anquilose dentária?

Nos casos em que o dente anquilosado é causado por traumas, a melhor forma de prevenção é o uso do protetor bucal.

Principalmente durante práticas esportivas que apresentem algum risco de lesão dentária, como artes marciais.

Ainda vale a pena reforçar os cuidados com atividades do dia a dia com risco de queda, por exemplo.

Todos sabemos que a limpeza dentária pode ajudar a manter os dentes mais saudáveis e a prevenir várias outras doenças bucais, certo?

O mesmo vale sobre manter as consultas regulares com o profissional dentista. Além de garantir um melhor acompanhamento, pode ajudar no diagnóstico precoce do dente anquilosado, em casos hereditários.

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